A catarata é uma das principais causas de perda de visão em pessoas acima dos 50 anos. Felizmente, os avanços da ciência na área médica nos trouxeram um tratamento extremamente seguro e eficaz, capaz de restaurar a visão e melhorar a qualidade de vida.
Neste artigo, vamos tirar suas principais dúvidas sobre a catarata, desde os sintomas até a recuperação após o tratamento.
Afinal, o que é a catarata?
“Catarata é o nome que se dá ao cristalino – a lente interna e natural dos olhos – quando ele se torna opaco.”
Nossos olhos são órgãos altamente especializados e fundamentais para o sentido da visão. São estruturas bastante complexas e, para exercerem sua função, possuem duas lentes distintas:
- A córnea – camada mais externa, transparente e arredondada; e
- O cristalino – que é interno e fica atrás da pupila (o orifício preto no centro do olho).
O termo catarata se refere ao próprio cristalino quando ele está opacificado, ou seja, quando ele perde a sua transparência natural.
Nessa situação, ele atua como um vidro fosco, reduzindo ou impedindo a entrada de luz no olho.
Por que a catarata ocorre?
A catarata se forma devido a um processo gradual de deterioração das proteínas e células do cristalino.
As células do cristalino, diferente de outras partes do corpo, não se renovam com o tempo, e acabam sofrendo modificações químicas e estruturais. Com isso, o cristalino fica mais vulnerável ao envelhecimento e a agressões externas, como raios ultravioleta e estresse oxidativo. Como resultado, suas proteínas vão sendo danificadas e ele fica menos transparente, dificultando a passagem da luz.
Vários fatores podem ser considerados causas ou fatores de risco para a ocorrência da catarata:
- Processo natural de envelhecimento: de longe a causa mais comum, é a chamada catarata senil.
- Radiação ultravioleta: a exposição a fontes de raios UV, como o sol e alguns equipamentos profissionais.
- Doenças ou condições sistêmicas: diabetes mellitus e o hábito de fumar (tabagismo), por exemplo.
- Pré-disposição genética: algumas famílias tem histórico de catarata em idades mais precoces.
- Outras condições oculares: uveítes, traumas, infecções.
- Uso de medicamentos: principalmente corticoides.
- Congênita: presente já ao nascimento, geralmente por má formação ou infecções maternas durante a gestação.
Quais são os sintomas mais comuns?
Os sintomas da catarata geralmente se instalam de forma lenta e gradual, e muitas vezes passam despercebidos por um longo período. Isso ocorre pois as pessoas se adaptam a mudanças graduais na sua qualidade de visão ao ajustar as suas rotinas e os seus ambientes. É então que surgem soluções como deixar de dirigir à noite, instalar mais pontos de luz em casa ou comprar uma televisão maior.
De forma objetiva, os principais sintomas são os seguintes:
- Visão turva ou embaçada
- Dificuldade para enxergar à noite
- Aumento da sensibilidade à luz
- Troca frequente dos óculos
- Cores apagadas ou “desbotadas“
- Visão dupla ou distorcida
Quando devo ir ao médico?
Se você já passou dos 50 anos de idade e percebeu mudanças na sua qualidade de visão ou dificuldade para atividades como ler, assistir televisão ou dirigir, é recomendável que consulte um médico oftalmologista. Além disso, se possui algum dos fatores de risco listados, a possibilidade do diagnóstico torna-se maior.
De toda forma, ressalta-se que o cenário ideal é a consulta anual de rotina com o oftalmologista, mesmo na ausência de sintomas e especialmente a partir dos 40 anos de idade. Além da catarata, existem outras doenças oculares – muitas vezes silenciosas – que ameaçam a visão e que podem ser melhor tratadas se diagnosticadas precocemente.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da catarata é feito de forma clínica pelo médico oftalmologista durante uma consulta médica.
A consulta compreende uma série de testes e exames específicos para avaliação completa da saúde ocular, incluindo, entre outros:
- Acuidade visual: determina-se a acuidade ou resolução da visão.
- Refração: medição do grau dos olhos (hipermetropia, miopia, astigmatismo ou presbiopia).
- Sensibilidade ao contraste: percepção de detalhes com diferenças sutis de luminosidade.
- Motilidade ocular: alinhamento e movimentação dos olhos.
- Biomicroscopia: exame sob o microscópio, no qual se pode visualizar a catarata.
- Tonometria: aferição da pressão intraocular para o rastreio de glaucoma.
- Mapeamento de retina: exame minucioso da parte mais profunda do olho.
Dessa forma, é possível verificar a presença não apenas da catarata, mas também de outras condições oculares que possam influenciar e afetar a visão. Além disso, o médico solicitará alguns exames complementares, com o objetivo de melhor delinear o estado de saúde ocular e definir o plano de tratamento mais adequado para cada caso.
Recebi o diagnóstico. E agora?
Primeiramente, procure se tranquilizar. A catarata dispõe de tratamento bastante eficaz e seguro hoje em dia.
Em segundo lugar, não é uma questão de azar ou uma exclusividade sua: com o aumento da expectativa de vida da população, espera-se que a maior parte das pessoas que tenham uma vida longa venham a desenvolver catarata em algum momento.
Em seguida, lembre-se que a imensa maioria dos pacientes submetidos ao tratamento ficam extremamente satisfeitos com os resultados.
A importância da avaliação pré-operatória
Após o diagnóstico, uma bateria de exames será realizada. O objetivo destes exames é mapear e analisar diversos aspectos da anatomia e da saúde ocular, o que permite avaliar a capacidade visual e a presença ou não de outras doenças oculares e sistêmicas. Cada pessoa é única e cada olho, muitas vezes, tem suas particularidades que exigem atenção e cuidado específicos.
Os exames necessários, em geral, não são invasivos e podem ser entendidos como fotografias especializadas dos olhos. O rosto do paciente é posicionado sobre um apoio, é solicitado que direcione o olhar a um alvo ou ponto luminoso, e as imagens são obtidas em poucos segundos. Todo o processo é rápido e não proporciona qualquer desconforto.
Como funciona o tratamento?
Uma vez instalado, o processo de opacificação do cristalino não pode ser interrompido ou revertido espontaneamente. Sendo assim, a única forma de tratamento definitivo para a catarata é por meio de cirurgia.
A moderna cirurgia da catarata
A moderna cirurgia da catarata é um procedimento minimamente invasivo que substitui o cristalino opaco por uma lente intraocular (LIO). Antigamente, o procedimento era bem mais complexo.
Naquela época, a cirurgia necessitava de uma incisão “grande” – de 8 a 10 milímetros – para a extração do cristalino inteiro. Pesando-se riscos e benefícios, recomendava-se a cirurgia nos estágios mais avançados, após a catarata estar “madura”. Além disso, não havia LIOs disponíveis no Brasil até meados dos anos 1970, e os pacientes operados usavam óculos com lentes muito fortes e grossas para repor o grau do cristalino.
Felizmente, as LIOs se popularizaram nos anos 1980 e, a partir dos anos 1990, a técnica antiga deu lugar à cirurgia moderna, chamada facoemulsificação. Nesta técnica, o acesso é feito por um pequeno túnel de pouco mais de 2 milímetros de largura, o que proporciona inúmeras vantagens. É utilizada uma sonda de ultrassom para fragmentar e aspirar a catarata e, logo em seguida, a LIO é dobrada e inserida no olho pela mesma microincisão. O procedimento completo leva cerca de 10 a 15 minutos.
A partir de então, a cirurgia da catarata ganhou grande popularidade e se estabeleceu como um procedimento rápido, indolor, eficaz, de baixíssimo risco e de pronta recuperação. Como consequência, a cirurgia da catarata é hoje um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados no mundo, contando com excelentes índices de sucesso terapêutico.
Como é a anestesia?
A anestesia utilizada é local ou regional (apenas no olho ou em toda a região ao redor do olho), geralmente acompanhada de algum grau de sedação.
Essa combinação proporciona muito conforto e praticamente elimina qualquer sintoma de ansiedade. O médico anestesiologista está sempre presente, garantindo a segurança de todo o procedimento anestésico-cirúrgico.
Uma boa comparação do conforto proporcionado pela anestesia pode ser feita com a endoscopia digestiva, que é um procedimento bastante conhecido e muito realizado, em que a imensa maioria dos pacientes refere absoluto bem-estar durante sua execução. Na cirurgia de catarata não é diferente: a maior parte dos pacientes concordará que a operação foi absolutamente tranquila e indolor.
A importância das lentes intraoculares
A escolha da lente intraocular é uma etapa fundamental no planejamento da cirurgia de catarata. No entanto, mais importante do que a lente em si é definir funcionalmente o tipo de visão que se deseja alcançar após a cirurgia.
Esse planejamento envolve uma avaliação cuidadosa das características dos olhos, dos exames pré-operatórios, da presença ou não de outras doenças oculares ou sistêmicas, além dos hábitos visuais, preferências pessoais e expectativas em relação ao uso da visão no dia a dia.
Existem diferentes tipos de lentes intraoculares, com tecnologias e características distintas. Elas podem variar em material, qualidade óptica, capacidade de correção do grau e outros aspectos técnicos. No entanto, essas diferenças só fazem sentido quando analisadas à luz do resultado visual que se pretende alcançar.
Por isso, na prática moderna da cirurgia de catarata, a lente intraocular não é pensada de forma isolada. Ela faz parte de um planejamento mais amplo, que leva em conta como a visão será utilizada no dia a dia após a cirurgia.
Para tornar essa definição mais clara e objetiva, organizamos as possibilidades em diferentes estratégias de correção da visão, de acordo com o alcance visual e o nível de conforto desejados.
Como escolhemos a melhor estratégia de correção da visão na cirurgia de catarata?
Na cirurgia de catarata, o objetivo vai além de apenas removê-la do olho, e inclui definir como você deseja usar sua visão no dia a dia após o procedimento.
Por isso, não começamos falando em tipos ou marcas de lentes, mas sim em estratégias de correção da visão. Cada estratégia oferece um nível diferente de alcance visual e de conforto.
Entendemos alcance como a distância em que se tem boa visão, e costumamos organizá-lo em dois grandes grupos – parcial e ampliado – de acordo com a abrangência da visão para diferentes distâncias:
- longe: para alvos a partir de 1 metro (por exemplo, dirigir ou assistir televisão)
- intermediário: entre 50 e 80 cm (por exemplo, painel do carro ou uso de computador)
- perto: entre 30 e 40 cm (por exemplo, uso de celular, leituras prolongadas e trabalhos manuais)
Quanto ao conforto, nos referimos a aspectos como autonomia dos óculos, menor cansaço visual e ausência de efeitos colaterais como distorções luminosas.
De forma simples, existem quatro estratégias principais, distribuídas dentro desses dois grupos, de acordo com o equilíbrio desejado entre alcance e conforto visual.
Comparação das estratégias de correção da visão
A tabela abaixo resume, de forma didática, quatro estratégias de correção da visão na cirurgia de catarata discutidas a seguir. Ela não tem o objetivo de definir uma opção como melhor ou pior, mas sim de ilustrar os diferentes equilíbrios possíveis entre alcance visual, conforto e autonomia em relação aos óculos.
| Estratégia de tratamento | Visão de longe | Visão intermediária | Visão de perto | Perfil geral / equilíbrio |
|---|---|---|---|---|
| Alcance parcial – Longe | Excelente | Limitada | Necessita óculos | Máxima previsibilidade, contraste e estabilidade visual. Prioriza conforto e qualidade da visão de longe. |
| Alcance parcial – Intermediário melhor | Excelente | Boa | Óculos para leitura prolongada | Mais conforto no dia a dia, mantendo alta qualidade óptica e comportamento visual estável. |
| Alcance ampliado – Intermediário forte | Muito boa | Forte | Ocasional | Amplia o alcance ao máximo com foco em equilíbrio entre autonomia e conforto visual, evitando efeitos colaterais indesejados. |
| Alcance ampliado – Inclui perto | Boa | Boa | Boa | Máxima autonomia possível em relação aos óculos, aceitando a possibilidade de alguns efeitos visuais específicos. |
Importante: todas as estratégias, sem exceção, representam o mesmo nível de sofisticação, personalização e planejamento cirúrgico. A escolha entre elas não define qualidade do cuidado, mas sim o equilíbrio desejado entre alcance visual, conforto e autonomia em relação aos óculos, de acordo com as características de cada olho e o estilo de vida do paciente.
1) Alcance parcial – Longe
Essa estratégia prioriza a melhor qualidade possível da visão de longe.
É indicada para pessoas que valorizam máxima nitidez, contraste e previsibilidade visual. Após a cirurgia, a visão para longe costuma ser excelente, mas óculos ainda serão necessários para leitura e atividades de perto.
É uma opção muito segura, com comportamento visual bastante estável, especialmente confortável para quem dirige à noite ou prefere evitar qualquer efeito colateral visual.
2) Alcance parcial – Intermediário melhor
Aqui, mantemos a mesma qualidade da visão de longe, mas com um ganho funcional no intermediário.
Na prática, isso significa mais conforto para atividades como:
- uso de computador
- painel do carro
- celular um pouco mais afastado
- tarefas do dia a dia dentro de casa
Ainda pode ser necessário usar óculos para leitura prolongada, mas o esforço visual ao longo do dia costuma ser menor.
É uma excelente escolha para quem busca mais conforto visual, sem abrir mão da previsibilidade e da qualidade óptica.
3) Alcance ampliado – Intermediário forte
A partir deste ponto, entramos no alcance ampliado da visão.
Essa estratégia amplia o alcance visual ao máximo possível sem priorizar o foco de perto absoluto, fortalecendo de forma significativa a visão intermediária.
Muitos pacientes relatam maior independência dos óculos em diversas situações do cotidiano, incluindo leituras ocasionais ou tarefas próximas, mantendo um bom nível de conforto visual.
👉 Aqui, o objetivo já não é apenas melhorar o intermediário, mas ampliar o alcance da visão dentro de um equilíbrio cuidadosamente planejado, evitando efeitos colaterais indesejados para quem prefere maior conforto visual.
4) Alcance ampliado – Inclui perto
Nesta estratégia, o alcance da visão é ampliado para incluir também o perto, oferecendo o máximo de autonomia possível em relação aos óculos.
Ela permite realizar a maioria das atividades do dia a dia sem óculos, inclusive leitura. Em contrapartida, algumas pessoas podem perceber efeitos visuais específicos, como halos ou reflexos luminosos, principalmente em ambientes com pouca luz.
👉 Assim como na estratégia anterior, trata-se de uma forma de ampliar o alcance ao máximo, porém com um conjunto diferente de trocas. Aqui, o paciente opta por aceitar a possibilidade de certos efeitos colaterais em troca de maior autonomia visual.
Ambas as estratégias de alcance ampliado representam o mesmo nível de personalização e planejamento, diferenciando-se pelo equilíbrio entre alcance e conforto visual.
As lentes oferecidas pelos convênios são uma boa opção?
Essa é uma dúvida muito comum no consultório, e absolutamente legítima.
As lentes intraoculares geralmente oferecidas pelos convênios podem ser utilizadas com segurança. Elas não são nocivas ao olho e cumprem bem o papel fundamental da cirurgia de catarata, que é remover a catarata e permitir que a luz volte a entrar no olho.
No entanto, é importante compreender o tipo de resultado visual que essas lentes permitem alcançar.
Essas lentes são padronizadas, ou seja, seguem um modelo mais genérico de correção da visão. Além disso, esse tipo de lente não foi desenvolvido para refinar a qualidade da imagem em níveis mais sutis.
Em resumo:
- priorizam a visão para longe,
- mas não têm como objetivo aperfeiçoar essa visão,
- não atuam sobre pequenas imperfeições ópticas individuais de cada olho
- não permitem um ajuste fino de acordo com as características próprias de cada paciente.
Portanto, após a cirurgia, é comum que o paciente precise utilizar óculos multifocais, com grau tanto para longe quanto para perto. E mesmo assim, embora os óculos corrijam o grau, eles não resolvem as imperfeições mais finas da qualidade da imagem, que dependem da forma como a luz é trabalhada dentro do olho.
Em resumo, o uso dessas lentes mais simples é uma abordagem funcional e segura, porém limitada do ponto de vista de personalização, conforto visual e autonomia em relação aos óculos.
As estratégias modernas de correção da visão na cirurgia de catarata seguem uma lógica diferente: buscam personalizar e otimizar o resultado, considerando hábitos visuais, estilo de vida e expectativas, com maior precisão na correção e maior refinamento da qualidade visual.
Nenhuma dessas abordagens é obrigatória ou melhor para todos. Elas pertencem a níveis diferentes de sofisticação e benefício, e fazem sentido para perfis e objetivos distintos. Nosso papel, enquanto médicos oftalmologistas, é explicar essas diferenças com clareza e transparência, para que cada paciente possa tomar uma decisão consciente e alinhada às suas necessidades.
Como é a recuperação após a cirurgia?
A recuperação inicial geralmente é rápida, ocorrendo melhora da visão já nos primeiros dias. O retorno ao trabalho e às atividades habituais também ocorre poucos dias após a operação.
Logo após a cirurgia, um tampão ocular ou curativo pode ser deixado sobre o olho fechado por algumas horas para proteção. Quando se retira o tampão, é comum haver certo embaçamento na visão inicialmente, mas já são percebidas mudanças nas cores, no brilho e na intensidade da luz.
No dia seguinte, a nitidez começa a se firmar. A visão segue melhorando a cada dia, à medida que se reduz o inchaço, que o grau estabiliza e que diminui a sensibilidade do olho operado.
Importante: não costuma haver dor significativa no período pós-operatório. Um desconforto leve e passageiro, como pequena ardência, vermelhidão ou sensação de areia no olho, pode ocorrer, e geralmente melhora com o uso dos colírios.
Cuidados pós-operatórios e medicação
Costumam-se recomendar alguns cuidados pós-operatórios específicos por um período de alguns dias a semanas.
Estes cuidados envolvem evitar esforço físico acentuado e situações que possam levar contaminação aos olhos (como piscina, poeira e cosméticos). É importante que se evitem traumas no local, como pancadas e até mesmo o ato de coçar. São utilizados protetores oculares nas primeiras noites para reduzir a chance de se coçar o olho involuntariamente.
Nesse período, o “uso” do olho e da visão não é contraindicado, mas deve-se atentar para situações de esforço visual prolongado. O uso excessivo de telas e até mesmo a realização de leituras mais longas pode reduzir a frequência do piscar, levando a ressecamento do olho, com irritação ocular e embaçamento temporário da visão.
Quanto às medicações, são utilizadas na forma de colírio nas primeiras semanas de recuperação. Em geral, são administradas gotas de anti-inflamatórios e de antibióticos preventivos, além de lubrificantes oculares para conforto. A frequência de aplicação e o tempo de uso variam conforme as particularidades de cada caso e as preferências do cirurgião. Medicações sistêmicas por via oral – como comprimidos ou cápsulas – em geral não são necessários.
Quais são os riscos da cirurgia da catarata?
Embora existam riscos associados à operação – assim como a qualquer procedimento cirúrgico – a literatura médica atesta que ela é extremamente segura. As chances de cura do problema e de melhora da visão são, de fato, superiores a 99%.
De maneira didática, podem-se classificar as principais complicações ou intercorrências da cirurgia de acordo com a sua natureza, estando relacionadas a uma das seguintes situações:
- A extração da catarata: incapacidade de se remover por completo a catarata, permanecendo algum fragmento retido no interior do olho.
- O implante da lente intraocular (LIO): casos em que, apesar da remoção da catarata e dos melhores esforços do cirurgião, o correto posicionamento da LIO não pode ser obtido.
- Eventos inflamatórios: compreendem diversas situações, como inflamação ocular prolongada, inchaço na parte externa e/ou no fundo do olho ou até mesmo a infecção ocular.
- Eventos circulatórios: são os sangramentos externos ou internos do olho e as oclusões (tromboses) de pequenos vasos sanguíneos, extremamente raros.
Essas situações mencionadas são bastante incomuns. A literatura médica atual aponta para uma taxa de ocorrência variável, de cerca de 0,02% (1 caso em 5000 cirurgias, para complicações mais graves) a 3,5% (eventos leves e de resolução mais fácil ou até imediata). Alguns casos podem requerer nova intervenção cirúrgica, enquanto outros são manejados apenas com medicação.
É fundamental considerar-se que, em praticamente todos esses casos, existe possibilidade de tratamento eficaz. Por isso, reforça-se a importância da escolha por uma equipe profissional experiente e qualificada, um centro cirúrgico de excelência e atenção aos cuidados pós-operatórios. Nesse cenário ideal, os riscos são baixíssimos e o paciente estará muito bem amparado em qualquer eventualidade.
Serão necessários óculos depois da cirurgia?
A resposta para essa pergunta depende da estratégia de tratamento definida para cada paciente, e não somente da cirurgia em si.
Na cirurgia de catarata, não existe uma regra única. Cada pessoa apresenta características próprias, tanto do ponto de vista ocular quanto do estilo de vida. Enquanto alguns pacientes toleram tranquilamente pequenas variações na nitidez da visão em determinadas situações, outros exercem atividades ou possuem um perfil que exige maior precisão e definição visual, mesmo para tarefas simples do dia a dia.
Isso explica, por exemplo, por que não é incomum encontrar pessoas que nunca usaram óculos ao longo da vida e, ainda assim, apresentam graus baixos ou moderados: suas demandas visuais simplesmente não exigiram uma correção mais refinada até então.
Por outro lado, hábitos de vida mais específicos — como leitura em distâncias muito curtas, uso prolongado de telas, trabalhos manuais com peças pequenas ou atividades realizadas com pouca iluminação — frequentemente demandam algum grau de correção adicional, mesmo após uma cirurgia tecnicamente bem-sucedida.
Outro fator fundamental é a particularidade de cada olho. Alguns olhos exigem um planejamento mais complexo para correção do grau, e há situações em que a correção absoluta de todas as imperfeições visuais não é possível ou sequer indicada. Os exames pré-operatórios têm papel central na identificação desses casos e na definição de expectativas realistas.
É nesse contexto que entra a estratégia de tratamento. Ela inclui a escolha e a aplicação adequada da lente intraocular, mas vai além disso: define como a visão será distribuída entre as diferentes distâncias, qual será o nível de autonomia em relação aos óculos e quais trocas são aceitáveis para cada paciente.
Assim, pacientes que optam por estratégias que ampliam mais o alcance visual podem alcançar grande independência dos óculos no dia a dia, ainda que eventualmente utilizem óculos para tarefas muito específicas. Da mesma forma, pacientes que seguem estratégias mais conservadoras, priorizando qualidade e previsibilidade da visão em determinadas distâncias, podem precisar de óculos em algumas situações — e, mesmo assim, estarem plenamente satisfeitos com o resultado.
Portanto, a necessidade de óculos após a cirurgia de catarata não deve ser vista como um problema ou uma falha do tratamento, mas como uma consequência natural da estratégia escolhida, alinhada às características do olho, aos hábitos de vida e às expectativas de cada pessoa.
O papel do oftalmologista é justamente avaliar essas variáveis, esclarecer possibilidades e limitações e ajudar o paciente a entender qual estratégia de tratamento melhor se adapta à sua realidade.
O grau do olho segue mudando após a cirurgia?
Após a cirurgia de catarata, a tendência é de estabilidade do grau, mas podem ocorrer variações ou flutuações.
Essa tendência de estabilidade se explica pelo fato de o olho já estar com o seu crescimento completo no momento da cirurgia. Além disso, com a remoção do cristalino, cessa o aumento progressivo do grau de perto, característico da presbiopia (ou vista cansada).
Já as oscilações naturais do grau se devem às mudanças sofridas pelo corpo com o passar do tempo, e que aparecem em diversos órgãos e sistemas. É assim com a nossa pele, músculos e articulações, por exemplo. No caso dos olhos, variações no astigmatismo podem ser explicadas, em boa parte, pela alteração da pressão exercida pelas pálpebras, devido a mudanças na musculatura.
Caso o paciente venha a sentir os efeitos dessa variação do grau futuramente, podem ser utilizados óculos ou realizados novos procedimentos para correção.
Quanto tempo dura a lente que é implantada?
Uma vez implantadas, as lente intraoculares (LIOs) não possuem prazo de validade e sua troca não é necessária.
Alguns pacientes, após um certo tempo da cirurgia, podem desejar mudança no tipo de correção visual que possuem. Nesses casos, a troca da LIO pode ser uma alternativa. Outras possibilidades incluem o implante de uma segunda LIO (sim, o olho pode abrigar mais de uma lente simultaneamente) ou correção da visão com cirurgia refrativa a laser.
Por que alguns pacientes precisam realizar a “limpeza da lente”?
Nossos olhos possuem uma fina membrana transparente logo atrás da lente intraocular (LIO), chamada de cápsula posterior. Com o tempo, é possível que essa membrana possa perder a transparência, levando a embaçamento progressivo da visão.
Felizmente, é uma situação de resolução simples, rápida e indolor, em que é feita uma aplicação de laser para abrir esta membrana e permitir novamente a passagem de luz. É feita sob dilatação da pupila, em caráter ambulatorial e não requer anestesia nem cuidados especiais para recuperação.
A “limpeza”, portanto, não é realizada na LIO, que permanece intacta durante todo o processo.
Perguntas frequentes sobre a catarata.
Separamos este espaço para perguntas e respostas frequentes sobre a catarata:
O que é a catarata?
A catarata é a opacificação ou perda da transparência do cristalino, a lente natural interna do olho, o que causa diminuição da visão.
A catarata pode afetar ambos os olhos?
Sim, a catarata pode afetar um ou ambos os olhos. Frequentemente, um dos olhos se apresenta em estágio um pouco mais avançado.
A catarata pode acontecer em jovens?
Embora seja mais comum em idade mais avançada, a catarata pode ocorrer em jovens devido a questões congênitas, traumas ou infecções graves, por exemplo.
A catarata pode ser prevenida ou evitada?
Medidas como redução da exposição a raios ultravioletas, controle de doenças sistêmicas e parar de fumar podem retardar o aparecimento da catarata.
Como é feito o diagnóstico da catarata?
O diagnóstico da catarata é clínico e feito por meio de uma avaliação oftalmológica completa. O médico oftalmologista consegue visualizar a catarata, determinar o estágio de evolução em que ela se encontra e avaliar o seu impacto para a visão.
Como é o tratamento da catarata?
O tratamento da catarata envolve cirurgia para a sua remoção de dentro do olho. Em seu lugar, é colocada uma nova lente, que fará o papel do cristalino natural.
O uso de colírios pode tratar ou reverter a catarata?
Não, o processo de opacificação do cristalino – a chamada catarata – não pode ser revertido. O único tratamento eficaz é a cirurgia.
A cirurgia de catarata dói?
Não. A cirurgia é feita sob anestesia local e sedação, o que além de evitar a dor, proporciona bem-estar e relaxamento durante a cirurgia.
Quanto tempo demora a cirurgia de catarata?
Em média, cerca de 10 a 15 minutos.
A cirurgia de catarata é segura?
A cirurgia de catarata é hoje um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados e seguros da medicina. As taxas de sucesso são muito elevadas.
Quais os riscos da cirurgia de catarata?
Como qualquer procedimento cirúrgico, a cirurgia de catarata envolve riscos, embora sejam pouco frequentes. Os riscos mais graves – e ainda mais raros – incluem infecção, inflamação ocular prolongada e descolamento de retina.
O que acontece se a catarata não for operada?
Sem tratamento cirúrgico, a catarata tende a evoluir ao longo do tempo. Pode levar a comprometimento visual importante, inclusive cegueira, em estágios mais avançados.
A catarata pode voltar após a cirurgia?
Não, pois o cristalino opacificado é removido permanentemente. Contudo, em alguns casos, pode ocorrer opacificação da cápsula posterior, tratável com laser.
Por que é implantada uma lente no olho? Ela sempre é necessária?
O implante de uma nova lente é necessário pois, sem o cristalino, o olho não consegue focalizar para formar uma imagem nítida.
Qual é a melhor lente intraocular para catarata?
Existem muitas lentes de boa qualidade, e as opções mais indicadas para cada caso serão definidas em conjunto com o médico cirurgião.
Para a definição da estratégia de tratamento e das lentes ideais, levam-se em conta as particularidades de cada olho, os exames complementares, os hábitos e estilo de vida e as expectativas de cada paciente.
As lentes oferecidas pelos convênios são seguras?
Sim, elas são seguras e podem ser utilizadas.
No entanto, são lentes padronizadas, com menor possibilidade de personalização da visão. Em geral, compensam o grau de forma básica e costumam exigir o uso de óculos multifocais após a cirurgia.
Diferenças mais finas na qualidade da imagem, como nitidez e contraste, nem sempre podem ser corrigidas apenas com óculos.
É necessário usar óculos depois da cirurgia de catarata?
Depende das características de cada olho, hábitos e estilo de vida, e também da estratégia de tratamento adotada, o que determina o tipo da lente intraocular que será implantada.
Na maior parte dos casos, é possível utilizar-se de alguma estratégia que diminua a dependência dos óculos.
A recuperação da cirurgia é rápida?
A recuperação inicial é bastante rápida, e a maioria dos pacientes nota grande melhora já no primeiro dia. A estabilização completa da visão pode levar algumas semanas.
Pessoas com diabetes – ou outras doenças – podem operar catarata?
Sim, na maioria dos casos. Se a doença estiver controlada, geralmente não há impedimento para a cirurgia.
Quanto tempo preciso me afastar do trabalho e de atividades físicas?
Atividades que exijam esforço físico acentuado devem ser suspensas por cerca de 7-10 dias após a cirurgia. O uso de telas e a realização de leituras e de tarefas visuais pode ser retomado antes disso, com cuidado para se evitar muita exposição e ressecamento dos olhos.
Em quanto tempo posso voltar a dirigir?
Depende da gravidade do caso e do ritmo individual de recuperação. Cerca de 90 a 95% dos pacientes já se encontram em condições de dirigir após cerca de 7 dias da cirurgia.
Posso viajar de avião logo após a cirurgia de catarata?
Sim. Em geral, não há impedimento para viagens de avião logo após a cirurgia de catarata. Outros procedimentos cirúrgicos oculares podem ter recomendação diferente.
É possível operar os dois olhos ao mesmo tempo?
Normalmente, as cirurgias são realizadas separadamente para minimizar riscos.